10 de setembro de 2010


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Rinite
A alergia nasal e a rinite medicamentosa

Arthur Guilherme L. Bettencourt S. Augusto

É comum observarmos algumas pessoas que têm rinite alérgica fazerem uso de vasoconstritores nasais, aquelas gotas tópicas que “desentopem” o nariz. Muito usadas durante os resfriados, também são empregadas pelos que têm alergia nasal durante as suas crises de alergia para aliviar a obstrução nasal que habitualmente acompanha o quadro.

Embora confiram alívio imediato, melhorando a ventilação nasal, elas podem levar a uma situação denominada de rinite medicamentosa. Isto acontece porque os vasoconstritores agem sobre o extenso sistema vascular das conchas nasais, que são estruturas responsáveis pelo aquecimento, umidificação e filtração do ar inspirado.

Como as características do ar que respiramos variam constantemente, podendo estar mais frio e seco num ambiente e mais úmido e quente em outro, variações estas que são também sentidas durante as diferentes estações do ano, o volume das conchas nasais também aumenta ou diminui, a fim de aquecer ou umidificar mais o ar que estamos inspirando, ou menos, se isto não for necessário.

Os vasoconstritores nasais, como o próprio nome diz, contraem os vasos sangüíneos das conchas nasais, diminuindo o aporte de sangue para elas, reduzindo, conseqüentemente, o seu volume e aumentando a área nasal para a passagem do ar. Contudo, após cessado o efeito vasoconstritor, ocorre o chamado efeito vasodilador rebote, no qual os vasos sangüíneos dilatam-se, porém num grau maior do que o do seu estado inicial, gerando um aumento grande no volume de sangue dentro da concha nasal, o que acarreta a congestão nasal.

Com o nariz obstruído, o indivíduo é levado a pingar novamente a medicação, e o ciclo se repete, com períodos de obstrução nasal cada vez maiores e mais prolongados, fazendo com que algumas pessoas tornem-se dependentes do vasoconstritor para poder respirar melhor.

De maneira geral, os indivíduos que têm rinite alérgica apresentam episódios de obstrução nasal mais freqüentemente que os não alérgicos, e alguns deles tendem a se automedicar, muitas vezes fazendo uso de gotas tópicas vasoconstritoras, havendo uma probabilidade maior de desenvolver um quadro de rinite medicamentosa. Este é mais outro transtorno de que padecem os que têm alergia nasal quando não estão sendo acompanhados ou tratados adequadamente por um médico.

última atualização: 23/9/2008
 
 
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