Alergia
Um pouco sobre urticária
É fácil para uma mãe identificar um quadro de urticária. Uma criança, habitualmente alérgica, que acorda com placas avermelhadas, edemaciadas e coçando não vai para a escola e a mãe já manda um aviso “foi uma crise de urticária – amanhã ela volta”. Apesar de ocorrer freqüentemente na infância de crianças atópicas, é entre os 20 e 30 anos que a urticária é mais comum. Nestes casos nem se relaciona obrigatoriamente à atopia. O mais característico da urticária é sua evolução. As lesões surgem e desaparecem em 24 horas. Podem e costumam aparecer outras lesões em lugares diferentes das anteriores. Muitas vezes, após um surto, pode-se seguir um período sem novas lesões, ou após alguns dias, começa uma nova crise; ou ainda, os quadros podem ser subentrantes – iniciar um novo quando ainda não se resolveu o anterior. Quando as crises cessam sem tratamento específico em até seis semanas, são classificadas com urticária aguda. Mas se estas crises se repetem a cada dois a três dias ou não cessam, num período maior do que seis semanas, podemos chamar o quadro de urticária crônica. Entre as urticárias agudas, 40% dos casos se relacionam a infecções virais do trato respiratório superior – por isso sua importância em períodos de “frentes frias”, como o que temos passado. Apenas 1% se relaciona a alimentos e até metade dos casos surgem e desaparecem sem que possamos identificar as suas causas (idiopáticas). Entre as urticárias crônicas, esta fração de casos idiopáticos chega a 60%, mas pode se relacionar a quadros de autoimunidade (como doenças da tireóide, diabetes e artrite reumatóide), a infecções e a alergias. Entre as lesões que se mantêm por mais de seis semanas, encontram-se também as da urticária física e da urticária vasculite, sobre as quais falaremos numa outra oportunidade. Apesar de serem freqüentes principalmente ao acordar, as lesões de urticária causam um desconforto extremo à noite, devido ao prurido (coceira) intenso. Estas lesões muitas vezes interferem diretamente na qualidade do sono do indivíduo, auto-estima e convívio social, o que pode afetar de maneira negativa a sua qualidade de vida. Por estes motivos, as urticárias devem ser compreendidas, para não interferirem tanto no nosso dia a dia.
última atualização: 11/7/2008
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