10 de setembro de 2010


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Alergia
Alergia à tatuagem de henna?

Sylvia Ypiranga – Dermatologista - CRM-SP 89062
Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica e Mestre em clinica medica - Unicamp

Assim que o verão chega, todos sonham com alguns dias na praia: sol, mar, nada a fazer...

É lá que se espera encontrar a paz, ar puro, gente bonita, crianças, esportistas e surfistas.

Neste ambiente é comum surgir a vontade de experimentar novas sensações.

A tatuagem pode não ser uma unanimidade, mas costuma atrair muita gente, em especial os mais jovens.

Se falta coragem para fazer uma definitiva, existe a possibilidade de se fazer um teste, uma “brincadeira” com uma “tatoo de henna”.

Ela desaparece após alguns banhos, ornamenta o corpo do verão e é tão comum nas nossas praias, que costuma ser feita por artistas ambulantes, nas areias.

Existe uma impressão geral de que se trata de um procedimento totalmente inocente e sem riscos. Entretanto, em alguns casos, a experiência pode ser um tanto desagradável, quando o corpo reconhece como estranho aquele pigmento da tatuagem, desencadeando uma reação alérgica, conhecida por dermatite de contato.

O pigmento natural de henna tem uma cor castanho-avermelhada e pode levar até 12 horas para secar. Para ser usado em tatuagens deve-se adicionar à henna natural alguns produtos químicos que a tornem negra e de rápida secagem, para não borrar. O principal agente usado é a parafenilenodiamina, ou simplesmente PPD. Este é um dos principais responsáveis pelas alergias conhecidas do nosso cotidiano e está presente em tintas de cabelo, couro, de impressão, de fotografias e na borracha vulcanizada.

Para que ocorra uma dermatite de contato alérgica é necessário que tenha ocorrido previamente ao quadro, uma sensibilização. Essa sensibilização pode ocorrer pela exposição do indivíduo a este agente ou outro, de características químicas semelhantes.

Dessa maneira, não é de se estranhar que a dermatite de contato surpreenda um indivíduo já “acostumado” a fazer a tatuagem de henna em verões passados.

A alergia se manifesta com coceira, vermelhidão e calor local, com “elevação do relevo” do desenho da tatuagem. A intensidade da reação pode variar de leve até a formação de bolhas, sempre caprichosamente respeitando o desenho original. Na sua evolução, ela pode se resolver espontaneamente após a remoção do pigmento ou após o uso local de medicamentos. Mas pode ainda deixar marcas por mais tempo, na forma de manchas mais claras que a pele normal, no formato da tatuagem, principalmente naqueles de pele mais escura.

Acredita-se que indivíduos atópicos (alérgicos) tenham maior propensão a desenvolver a dermatite de contato, ainda que esta possa ocorrer em qualquer um de nós.
Portanto, deve-se cuidar para que um sonho de verão não se torne um desagradável quadro de alergia.

última atualização: 13/2/2008
 
 
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