10 de setembro de 2010


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Alergia
Vacina pneumocócica e sua relação com alergia

Dr. Raul Emrich Melo

São muitas as vacinas disponíveis atualmente e isto tem gerado muitas dúvidas em relação às indicações, benefícios e segurança de uso, particularmente em pessoas alérgicas.

Sabe-se que as doenças infecciosas podem piorar quadros de alergia. Um exemplo é a gripe, freqüente agravante das crises de asma (ou “bronquite”). Além disso, as outras infecções podem complicar a avaliação de um paciente que já tem necessidade de procurar o médico de forma recorrente. Neste caso, além das crises alérgicas respiratórias, infecções de ouvido podem levar a dúvidas diagnósticas em relação a um quadro arrastado de sinusite, ou então uma pneumonia complicar a evolução de um paciente asmático.

Para compreender um pouco deste assunto, lembremos que algumas das vacinas nos protegem contra doenças causadas por vírus, como o sarampo, a rubéola, a catapora. Pela maneira como estes pequeníssimos seres interagem com nosso organismo, historicamente tem sido mais fácil produzir vacinas contra vírus em comparação com as doenças bacterianas (bactérias causam infecção de ouvido, pneumonia, formas graves de meningite). Por outro lado, a partir do momento em que um vírus inicia o processo de doença, temos mais dificuldade em controlá-lo. Em quase todas as infecções virais, como no caso da Dengue, os médicos receitam apenas as medidas gerais (de suporte), pois não existe um remédio que diminua o tempo de doença. Evitar a desidratação, manter a respiração e aliviar a dor são as chamadas medidas de suporte.

Em contrapartida, as bactérias, de maneira geral, induzem à produção de um material purulento (aquele líquido amarelado que vaza de uma infecção embaixo da pele, por exemplo). O pus – que pode ter um aspecto asqueroso para nós, seres humanos – é a mistura das bactérias com as células mortas que se envolveram na defesa de nosso organismo. Uma pequena espinha (ou acne), não deixa de ser o resultado de uma pequena batalha. Mas a maneira como as bactérias nos atacam fazem com que sejam alvos potenciais dos antibióticos, grandes armas no combate a estas infecções.

Curiosamente, são poucas as bactérias que nos agridem. Ao contrário dos vírus, que não nos habitam de forma contínua e ampla, as bactérias nos rodeiam em grande quantidade. Na pele, na boca, nos intestinos. Para falar a verdade, estamos cheios de bactérias, por todos os lados. Poucas delas são potencialmente perigosas.

O Pneumococo é uma destas bactérias que podem nos causar problemas. Pode ser um incômodo – como uma infecção de ouvido, ou otite – até uma doença grave, como uma pneumonia ou meningite. E estes casos graves são mais comuns nas idades em que nosso organismo é naturalmente mais debilitado: na terceira idade e nos primeiros anos de vida. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, uma criança morre por doença pneumocócica a cada 30 minutos, só no Caribe e na América Latina.

Também temos mais dificuldade em limitar a ação do Pneumococo quando nosso baço foi removido (devido a um acidente) ou parou de funcionar adequadamente. A anemia falciforme é uma destas doenças familiares em que o baço, um órgão que filtra o sangue e ajuda a eliminar bactérias como o Pneumococo, deixa de fazer seu papel de proteção. Desta forma, várias entidades de saúde, ao redor do mundo, têm indicado a vacinação contra o Pneumococo para idosos, pessoas com doenças prolongadas como AIDS ou anemia falciforme e também para as crianças pequenas saudáveis.

Algumas reações podem acontecer após a vacinação contra o Pneumococo e geralmente estão relacionadas ao nosso próprio sistema de defesa – que se põe a produzir anticorpos e se preparar para uma eventual infecção. Afinal, é para isto que as vacinas são produzidas. Alguma dor local, febre baixa e irritabilidade acontecem em freqüência bem baixa. Reações mais sérias, do tipo alérgica, necessitam mais de um milhão de doses para serem observadas, de tal forma que o risco-benefício é amplamente favorável à utilização da vacina.

O timerosal, um conservante que é utilizado em muitas vacinas, não está presente neste tipo de vacina.

Mas, se existem duas vacinas disponíveis, qual delas utilizar?

Para crianças, principalmente até os 2 anos de idade, está indicada a vacina Pneumococo conjugada, também chamada de Pneumococo 7-valente (para 7 tipos de Pneumococo). Em inglês, a sigla é PCV. Vale lembrar que na seringa existe apenas a vacina contra o Penumococo. A palavra conjugada diz respeito à maneira como foi produzida, o que permite a aplicação com bons resultados em crianças pequenas, a partir de 2 meses de idade.

A partir dos 55 a 60 anos, ou quando outras doenças comprometem o sistema de defesa, está indicada a vacina anti-Pneumocócica Polissacáride (em inglês, PPV), também chamada de Pneumococo 23 ou Polivalente (para 23 tipos de Pneumococo).

Países que passaram a utilizar as vacinas pneumocócicas em larga escala já evidenciaram os benefícios e a segurança desta forma de prevenção de doenças. E os alérgicos, em particular, têm tido menos casos de confusão diagnóstica como resultado de menores taxas de otite e pneumonia. Vacinar vale à pena.

última atualização: 15/1/2008
 
 
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