6 de setembro de 2010


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Rinite
Existe cirurgia para a rinite alérgica?

Arthur Guilherme L. Bettencourt S. Augusto

Como manifestação de resposta do organismo frente a determinados fatores externos, a rinite alérgica é decorrente de uma resposta particular de algumas pessoas. Desta forma, não existe um tratamento definitivo, quer seja clínico ou cirúrgico, que “cure” o indivíduo alérgico. Existe, na verdade, uma série de possibilidades terapêuticas que visam a controlar as manifestações alérgicas e fazer com que o indivíduo alérgico possa conviver da melhor maneira possível com essa sua característica pessoal de resposta a alguns agentes agressores, aos quais chamamos de alérgenos.

No entanto, algumas pessoas alérgicas apresentam certas alterações anatômicas nasossinusais que podem contribuir para exacerbar os sintomas de uma crise de alergia, tornando-os mais prolongados ou até mesmo levar a alguma complicação infecciosa, como uma rinossinusite, por exemplo. Dentre essas alterações anatômicas mais comuns, podemos salientar os desvios de septo nasal e a hipertrofia (aumento do volume) das conchas nasais, que são estruturas da cavidade do nariz responsáveis pelo aquecimento, umidificação e filtração do ar inspirado. Podemos também citar que alguns indivíduos alérgicos desenvolvem pólipos nasais (algo como uma degeneração cística da mucosa nasal), que tendem a dificultar a respiração pelo nariz.

Imagine que um indivíduo alérgico, que já tenha uma predisposição anatômica para respirar mal pelo nariz, apresente um quadro agudo de rinite alérgica, com coriza, espirros e obstrução nasal concomitante. Essa obstrução nasal, obviamente, será muito maior nesse individuo do que naquele que tem apenas rinite alérgica e uma cavidade nasal anatomicamente dentro da normalidade.

O que se observa na prática diária é que os indivíduos alérgicos que têm alterações anatômicas nasais, ou pólipos nasais, apresentam mais freqüentemente obstrução nasal, são mais sujeitos a evoluírem com rinossinusites e, de maneira geral, têm uma piora na sua qualidade de vida. Fica claro, então, supor que esse grupo de indivíduos beneficiar-se-ia com uma cirurgia nasal para correção de um desvio de septo, diminuição das conchas nasais ou, quando for o caso, retirada de pólipos nasais. Contudo, apesar da melhora da ventilação nasal, eles continuam sendo alérgicos como antes, mas passam a ter uma qualidade de vida muito melhor, pois têm menos obstrução nasal, estão menos propensos a desenvolverem rinossinusites quando da vigência de crises alérgicas, e controlam muito mais facilmente e convivem melhor com a sua rinite alérgica.

Como orientação final, seria aconselhável que as pessoas com rinite alérgica, que vivem a maior parte do tempo com dificuldade respiratória, ou com aquela famosa queixa de que “a minha rinite nunca melhora porque estou sempre com o nariz tampado e escorrendo”, procurem um médico para, no mínimo, fazer uma avaliação anatômica de sua cavidade nasal. Talvez elas possam ter alguma alteração para a qual uma cirurgia seria recomendada.

última atualização: 19/12/2007
 
 
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