10 de setembro de 2010


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Rinite
A rinite alérgica e dor de cabeça

Algumas pessoas que têm rinite alérgica costumam apresentar uma queixa habitual de dor de cabeça acompanhando os sintomas de crises de espirros, prurido e congestão nasal, que são característicos da fase aguda do processo alérgico não tratado. Curiosamente boa parte da população associa a idéia de que dor de cabeça, principalmente na forma de pressão facial, está sempre associada com a ocorrência de sinusite. Mais interessante ainda é observar que muitos desses pacientes com dor de cabeça procuram o médico já com um diagnóstico por eles mesmos firmado de sinusite, referindo logo ao começar a consulta frases do gênero: “dr, estou com sinusite” ou  “a minha sinusite atacou de novo”.

Embora a dor facial possa estar associada a uma sinusite, ela também pode ser referida em quadros totalmente distintos de uma verdadeira infecção respiratória. No caso da rinite alérgica em específico, podemos citar dois exemplos: 1) a obstrução nasal da rinite alérgica ocorre por haver um aumento no volume de estruturas da cavidade nasal chamadas de conchas. Quando essas conchas aumentadas de tamanho encostam no septo nasal, podem levar a um quadro de dor facial. 2) um indivíduo que tenha desvio de septo nasal tem uma maior probabilidade de ter dor facial quando, numa crise alérgica,  a sua concha nasal, agora aumentada de volume, pressiona-se contra a área septal desviada.

Indivíduos alérgicos que têm, como característica anatômica, conchas nasais grandes e/ou desvio de septo, teoricamente estão mais sujeitos a referir dor facial na vigência de uma crise de alergia pelo mecanismo acima descrito sem apresentar um quadro de sinusite. No entanto, observa-se com certa freqüência que alguns desses indivíduos fazem uso inadequado de analgésicos, antiinflamatórios ou até mesmo de antibióticos para um quadro de natureza  fundamentalmente alérgica!

Esse tratamento inadequado além de não resolver o problema,  prolonga os sintomas, gerando mais transtornos para o indivíduo, e, caso a obstrução nasal perdure demasiadamente, pode resultar no aparecimento de uma infecção sinusal, pois a ventilação dos seios paranasais depende de uma boa ventilação nasal. Ironicamente o que não era acaba se tornando uma verdadeira sinusite!

Portanto, uma recomendação sensata para as pessoas que têm rinite alérgica é sempre procurar um otorrinolaringologista quando de um quadro nasal persistente, acompanhado ou não de dor de cabeça. Um diagnóstico correto pode abreviar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e evitar aborrecimentos futuros.

Arthur Guilherme L. Bettencourt S. Augusto

última atualização: 24/9/2007
 
 
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